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Mestre Pastinha

 

          Vicente Ferreira Pastinha (1889 – 1982) – Mestre Pastinha, “Mestre de capoeira angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um de seus Obás, de seus chefes. É o primeiro em arte; senhor da agilidade e da coragem...” Jorge Amado.

          Baiano de salvador, do Pelourinho, Pastinha foi o grande Mestre da Capoeira Angola, aperfeiçoando a arte centenária dos escravos. Ele organizou uma escola, estabeleceu um método de ensino com base nas antigas tradições e ainda escreveu o primeiro livro do gênero, onde expõe a sua concepção filosófica. Foi com o Mestre Pastinha que foram instituídas as cores amarelo e preto para o uniforme dos angoleiros e constituição da bateria composta por três berimbaus, dois pandeiros, um atabaque, um reco–reco e um agogô.   

          “Capoeira é tudo o que a boca come”, dizia ele na sua singular filosofia. Formou capoeirIstas como João Grande, João Pequeno, Curió e tantos outros.

 

                     Mestre Bimba

 

           Mestre Bimba (1900 – 1974), foi um capoeirista excepcional, um criativo tocador de berimbau e cantor de mão cheia. Era homem de personalidade forte e marcante.  Abandonou as rodas de capoeira angola de sua época e abriu sua academia (por sinal a primeira), por volta de 1930 e passou a ensinar a sua modalidade de capoeira, que foi chamada de “Regional”. Nesse ambiente hostil, as escolas de capoeira sobreviveram clandestinamente nos subúrbios. Foi para reverter esse quadro que o baiano Manoel Dos Reis Machado, um angoleiro forte e valente conhecido como Mestre Bimba inventou uma nova capoeira. Teve o cuidado de tirar a palavra do nome academia que fundou em 1932 em Salvador, o Centro de Cultura Física e Regional. Filho de um campeão de batuque uma espécie de luta – livre comum na Bahia do século XIX, junto à técnica do boxe e do jiu-jitsu e criou um método de ensino. Para fugir de qualquer pista que lembrasse a origem marginalizada da capoeira, mudou alguns movimentos, eliminou a malícia da postura do capoeirista, colocando-o em pé, criou um código de ética rígido, que exigia até higiene, estabeleceu um uniforme branco e se meteu até na vida dos alunos. “Para treinar com meu pai era preciso provar que estava trabalhando ou mostrar o boletim do colégio”, conta Demerval dos Santos Machado, conhecido como “formiga” nas rodas de capoeira, e organizador da Fundação Mestre Bimba, ao lado do irmão, Mestre Nenéu. O resultado é que a partir daí, a capoeira começou a ganhar alunos da classe média branca e também a se dividir. Até hoje angoleiros e regionais criticam-se mutuamente, embora se respeitem. Os angoleiros se dizem guardiões das tradições, os regionais já acham que a capoeira deve “evoluir” com isso, Bimba deu ares atlético ao jogo e atraiu as mulheres, até então excluídas das rodas. “meu pai falava de uma capoeira chamada Maria Doze Homens, mas era exceção, diz Nenéu, Mestre Curió confirma;” Dos anos 40 para o 50, poucas mulheres jogavam ““.

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